WME 2017: mulheres incríveis compartilhando experiências, crianças roubando a cena e a certeza de um longo caminho pela frente

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Vem ver como foi o WME 2017


FOTOS RENATA BRASIL, MELISSA HAIDAR, GISELLE GALVÃO, NATHALIE BOHM E RENATA CHEBEL

Quando a pequena Amora, filha da cantora Tiê, entrou no palco da Sala Adoniran Barbosa, onde a mãe se apresentava diante de uma plateia formada por participantes do primeiro dia (17) do Women’s Music Event, ninguém achou estranho. As duas filhas de Tiê e uma amiguinha (também chamada Amora) estavam tão à vontade que usaram aquele espaço sagrado do Centro Cultural São Paulo como se fosse a extensão de um quarto de brinquedos. As músicas delicadas do repertório, executadas em parceria com o músico André Whoong, que se revezava  no piano e no violão, emolduraram aquela cena como adornos extras de candura. Até que Amora se deitou ao lado da mãe e fechou os olhinhos. Explosão de fofura.

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Aquele momento em que você pensa: mulher, mãe, cantora… e tudo bem!

O tom da primeira edição do Women’s Music Event, que aconteceu nos dias 17 e 18 de março, em São Paulo, foi bem esse. Nos dois dias e duas noites de programação, que somou quase 30 atividades diferentes, o clima foi de comunhão, troca de experiências, relatos apaixonados de quem vive da música, participação calorosa do público e um grande número de crianças circulando pelo Centro Cultural São Paulo, onde foram concentrados painéis, workshops e shows da parte diurna do WME.

Durante os dois dias no CCSP, mais de 600 pessoas, entre público e convidadas, trocaram impressões e experiências, como se vivêssemos numa pequena bolha onde a mulher é a grande protagonista da indústria da música. E, falando em protagonistas, conseguimos reunir mais de 60 profissionais com muita história pra compartilhar, de diretoras de grandes empresas a roadies, passando por todo o ecossistema da música.

VEJA O ÁLBUM DE FOTOS DE TODAS AS PARTICIPANTES DO WME 2017

Abrimos os trabalhos na sexta, às 13h, com a cidade debaixo de um baita toró. Deve ter sido pra testar nossos corações, mas qual não foi nossa surpresa ao ver a sala Adoniran Barborsa quase cheia para receber o painel Sorte, suor ou dinheiro? Como uma música vira hit na Internet, Rádio ou Televisão, com mediação de Fátima Pissarra, diretora da Vevo Brasil, com participação de Tatiana Cantinho, da Som Livre, Ligia Lima, do YouTube, Jany Lima, Diretora Artística da Rádio Maringa FM e a assessora de imprensa Mariana Piky Candeias, da Batucada Comunicação. Coisa linda ver mulheres com tanto conhecimento esmiuçando um tema permeado por explicações técnicas, porém em que a sorte e o intangível também atuam fortemente.

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Fatima Pissarra mediou o painel hits musicais, com participação de Tati Cantinho, Jany Lima, Ligia Lima e Piky

Nos intervalos, música e conversas no Lounge WME, que teve apoio das empresas ESP e Mapex, que juntas montaram o Music Lab, um minipalco com instrumentos plugados para quem quisesse montar uma banda ali na hora. O espaço tinha também comidinhas, café e um freezer da Ben & Jerry’s com sorvetes de graça para quem estivesse circulando pelo evento. Outras parcerias super-importantes: com o app Cabify, que ofereceu entre 25% e 50% de desconto a todos os participantes do WME 2017, e com a Vult, que ofereceu kits de maquiagem incríveis para todas as participantes – e um batom nas bags de quem comprou o passaporte WME 2017.

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Bandas formadas ali mesmo no Music Lab

O segundo painel do dia reuniu as poderosas dos movimentos urbanos, as DJs e produtoras BadSista (festa Bandida), Cashu (Mamba Negra), Gabriela Ubaldo (Macumbia) e a cantora e agitadora cultural Lei Di Dai (Gueto Sistema de Som). Cada uma trouxe suas experiências como fazedora de festas aos ouvidos atentos de quem estava na plateia.

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Cashu, Clau Assef, Gabriela Ubaldo, Lei Di Dai, BadSista e Monique Dardenne

Ousadia costuma ser um fator divisor de águas na carreira de uma artista. E foi sobre esse tema que Fátima Pissarra, Tatiana Cantinho, Fabiana Batistela (SIM São Paulo) e Briba Castro (Universal) falaram, cada uma trazendo suas experiências e pontos de vista distintos. O painel foi mediado pela sagaz Bia Granja, do YouPix. Em seguida, o tema em pauta foi o rádio e seu poder de mobilização. Mediado pela radialista Fabiana Ferraz, o painel reuniu Luka Salomão, da 89 FM, Jany Lima, da Rádio Maringa FM, a primeira DJ do Brasil, Sonia Abreu (Ondas Tropicais/UOL) e Biancamaria Binazzi da Rádio-Estúdio Manacá. Quem não sabia ficou sabendo ali que o rádio é um dos veículos mais dominados pelos homens, sendo Jany uma das poucas diretores artísticas do dial brasileiro.

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Muita gente não sabe, mas o rádio continua sendo um dos veículos mais importantes do país

Pausa musical para quem estava participando do WME curtir o show da Tiê, que, como relatamos no começo do texto, emocionou a todos com sua delicadeza e participação especial das filhas, que até cantaram um trechinho da música tema da animação Moana. “É um prazer participar de um evento como esse, especialmente porque eu venho de uma família de mulheres muito fortes. Temos que nos unir mesmo e nos fortalecer”, disse Tiê no palco.

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Renata Simões conduziu o papo com Eliane Dias, Juliana de Jesus, Daniela Rodrigues e Maria Helena

A sexta-feira ainda tinha grandes temas a serem debatidos. Um dos momentos altos do dia foi o painel Por trás de um/uma grande rapper tem sempre uma grande mulher sobre a arte de administrar carreiras de grandes artistas do rap nacional. Convidamos para este painel Eliane Dias (Racionais MCs e Boogie Naipe), Juliana de Jesus (Tássia Reis e Rimas & Melodias), Daniela Rodrigues (Rashid) e Marina Helena (Black Ailen). O papo teve mediação da jornalista e apresentadora Renata Simões e alternou momentos fortes, como quando Eliane Dias contou sobre sua chegada para organizar a vida artística dos Racionais, com passagens divertidas. “Antes nem se fazia contrato pra show de rap. Achavam frescura. Os grupos chegavam pra se apresentar em lugares com chão molhado. Eu chegava e falava: ‘por favor, seca este chão. O rap merece respeito!'”. Foi maravilhoso.

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Tiê, Karina Buhr e Mahmundi dividiram com a plateia funções e causos extra-palco

O último painel da sexta reuniu três artistas de peso da música brasileira, Mahmundi, Tiê e Karina Buhr, pra falar sobre o que fazem longe dos palcos. Afinal, artista hoje em dia não fica sentada esperando aparecerem contratos. Tiê falou do trabalho de sua produtora independente, a Rosa Flamingo, e lembrou dos tempos em que ela mesma fechava trabalhos por telefone usando o nome de uma agente fictícia. Mahmundi, que trabalhou como técnica de som no Circo Voador, no Rio, lembrou momentos de extremo machismo que teve que enfrentar na carreira e contou como acabou conquistando a confiança dos colegas da técnica. Karina, que também é escritora e ilustradora, falou da importância desse momento de valorização da mulher na indústria da música e lembrou que vira e mexe ainda ouve (e muito) frases como: “nossa, seu disco é muito bom, quem é seu produtor?”. O encerramento do primeiro dia não poderia ter sido mais convidativo à reflexão.

NOITE ELETRÔNICA NA CASA 92

Na própria sexta-feira (18), a partir das 23h, o Women’s Music Event tomou conta das três pistas da Casa 92, em Pinheiros, com um dream team de DJs brasileiras: Amanda Mussi, Andrea Gram, Mari Rossi x Carol Campos, Mari Mats, Paula Chalup x Ana Flavia e BadSista. A festa, que teve apoio de Jameson e da Heineken, teve drinks a preços especiais, e a galera aprovou.

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Amanda Mussi, Andrea Gram, Ana Flavia, Carol Campos e Clau Assef na Casa 92

No som, um mix que foi de drum’n’bass, bass music, house, hip hop, pop até o techno. Um verdadeiro luxo poder migrar de uma pista onde estavam tocando, por exemplo, Ana Flavia x Paula Chalup e depois ouvir a sensação da bass music, BadSista. Uma noite de música eletrônica plural e com muita qualidade, exatamente como o line-up propunha. Obrigada a todas as DJs por estarem com a gente, a noite já gerou mil ideias de desdobramentos que serão divulgados em breve.

MARINA LIMA & MAIA

O sábado começou um pouco mais tarde, 15h, com atividades simultâneas. O primeiro painel focou num assunto infelizmente ainda muito necessário, o assédio moral e sexual no trabalho. Ali aprendemos que existe toda uma área cinzenta em torno do assédio, que muitas vezes torna difícil – mas não impossível – comprová-lo. O painel teve a presença da delegada Sabrina R. Almeida, da 1a Delegacia de Defesa da Mulher, da cantora Negra Li, que compartilhou um caso delicado vivido por ela, e da guitarrista e roadie Marianne Crestani, que trabalha no Girls Rock Camp, acampamento musical para meninas de 7 a 17 anos sobre o qual já falamos aqui. O papo foi mediado pela escritora Gaia Passarelli, que em 2016 lançou o livro Mas Você Vai Sozinha? (editora Globo).

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O painel Assédio Moral ou Sexual no Trabalho tratou de um assunto que não poderia ter ficado de fora do WME

Sob mediação de Fatima Pissarra, da VEVO, o painel seguinte explorou o tema Como a Música Potencializa a Exposição das Marcas. Reunimos profissionais que lidam com o dia a dia de misturar música com marketing: Celia Goldstein, do Spotify, Vanessa Brandão, Diretora da Heineken, e Flávia Molina, diretora de Marketing da Pernod Ricard, puderam expor um pouco de suas estratégias para atrair mais interesse para suas marcas usando a melhor ferramenta para conectar as pessoas a elas, a música.

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Fatima Pissarra, Flavia Molina, Vanessa Brandão e Célia Goldstein falaram sobre a relação das marcas com música

Na sequência, talvez o painel mais lotado do WME 2017: o Q&A com a madrinha do evento, a cantora Marina Lima. Assim como aconteceu no show de Tiê, o ambiente lá-em-casa convidou Marina a ter uma conversa totalmente à vontade com esta jornalista que vos escreve (e olha que eu estava nervosa!). Seguiu-se um papo de uma hora num piscar de olhos, com participação especial de Maia, minha filha mais nova, que não se fez de rogada a invadiu o palco (e se sentou no sofá ao lado de Marina) algumas vezes.

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Clau Assef, a filha “invasora” Maia e Marina Lima durante o WME 2017

O último painel do dia foi também um dos mais divertidos! Sentaram-se à mesa para debater o tema O mercado de entretenimento está chorando ou vendendo lenços? as cabeças à frente de alguns dos festivais mais importantes do país: Leca Guimarães, representando o Lollapalooza Brasil, Paola Wescher, do Popload Festival, Juliana Cavalcante, do King Festival e Ana Garcia, do No Ar Coquetel Molotov. A mediação foi da radialista Debora Pill, e uma das conclusões a que a banca chegou foi que, pra fazer um festival no Brasil, um pré-requisito básico é que a “pessoa seja um pouco doida da cabeça”, como disse a divertida Juliana Cavalcante.

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Tem que ser um pouco doida! Debora Pill, Ana Garcia, Paola Wescher, Juliana Cavalcante e Leca Guimarães

WORKSHOPS CONCORRIDOS

Os workshops do WME 2017 foram todos concentrados no sábado (18), nas amplas Salas de Ensaio I e II do CCSP. Um dos mais lotados foi Oportunidades que surgem em Editais e Leis de Incentivo. Por onde começar?, ministrado pela Inti Queiroz.

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Sala cheia pra ver e ouvir a criadora SIM SP, Fabiana Batistela, dar dicas de comunicação para artistas

Sala cheia também para o Imagem é tudo? Comunicação para a música nos dias de hoje conduzido por Fabiana Batistela, criadora da SIM São Paulo, e Olho na Planilha, Pé na estrada: por dentro da profissão Tour Manager com Fabiana Lian. Mais voltados para questões técnicas, muita gente quis botar a mão na massa nos workshops musicais Synth Gênero, com Érica Alves, Aquecimento Vocal, com Ana Terra, e Noções Básicas de Discotecagem, com a DJ Lisa Bueno.

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Sandra Coutinho comandando o baixo e voz do show das Mercenárias

Pra encerrar a parte diurna do WME 2017, duas bandas icônicas de diferentes gerações foram escaladas. As Mercenárias se apresentaram na Sala Adoniran Barbosa, que foi aberta ao público em geral para ver seu som punk, que celebra 35 anos em 2017. Em seguida, as divas do grupo vocal Rimas & Melodias soltaram suas vozes e beats tirando todo mundo das cadeiras e finalizando a passagem do Women’s Music Event pelo Centro Cultural São Paulo no mais alto astral.

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Rimas & Melodias arrasaram no encerramento da parte diurna do WME 2017 em show gratuito para a população

NOITE DE ENCERRAMENTO

O sábado ainda reservava um grand finale no Espaço 555, nova casa de eventos do grupo The Week no centro de São Paulo, com shows de Drik Barbosa, Karina Buhr e Ava Rocha, e discotecagem de Sonia Abreu e Tata Ogan. As projeções maravilhosas foram criadas pela VJ Elka Andrello.

Toda a equipe técnica do WME 2017, de roadies à diretora técnica, foi formada por mulheres, tanto no CCSP quanto no Espaço 555, fato, até onde sabemos, inédito no Brasil.

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Karina Buhr entre parte da equipe técnica do WME 2017

O palco baixinho, bem próximo do público, deu a quem foi à festa uma sensação de show privê. Quem abriu a noite foi a DJ Sonia Abreu, que há 52 vem prestando bons serviços às pistas de dança brasileiras. Ela esquentou a plateia para a entrada de Drik Barbosa, integrante do Rimas & Melodias que vem construindo uma sólida carreira solo. Foi lindo ver Drik brilhando, acompanhada de backing vocal e DJ.

Karina Buhr virando monstro no palco do WME 2017

Depois, a DJ Tata Ogan fez a cama perfeita, passeando de brasilidades a drum’n’bass, para receber a cantora Karina Buhr, que veio armada até os dentes com o repertório de Selvática, seu disco mais recente, cheio de letras para deixar qualquer machista com medo de sair de casa. Além de seu poder de amazona delirante, Karina tem outros guerreiros poderosos no palco, como o parceiro musical de longa data, Edgard Scandurra. Ela termina o show literalmente se jogando do palco, deitada no chão diante do público, que quase se joga junto.

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Ficou em ótimas mãos o último show do WME 2017: Ava Rocha simplesmente brilhou com seu cocar de facas

O show seguinte também não deixaria pedra sobre pedra. Ava Rocha e banda voaram do México em meio à sua turnê pelas Américas especialmente para encerrar o WME 2017. E foi maravilhoso ver de perto essa artista que mistura momentos de candomblé com jazz, rock com batuque e MPB com baião, com sua voz de Angela Ro Ro revisitada pela era da pós-verdade. Já passavam das 4h quando Ava desceu do palco e foi abraçada pelo público, num abraço coletivo que não poderia ter sido mais a cara desse clima todo de WME 2017. Já estamos ansiosas para 2018 🙂

VEJA MAIS FOTOS DO WME 2017 NO ÁLBUM ABAIXO

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FICHA TÉCNICA WME 2017

EQUIPE TÉCNICA WME 2017

Katia Cesana (produtora executiva e artística), Nayara Gundi (assistente de produção), Adriana Viana (direção técnica), Allyne Cassini (PA Espaço 555), Lilla Stipp (monitor Espaço 555), Elis Menezes (roadie Espaço 555), Regiane Alves (monitor CCSP), Camila Jordão (Iluminadora) e Beatriz Martins (roadie CCSP)

VOLUNTÁRIAS

Gabriela Nogueira, Lili Molina, Juli Baldi, Suellen Cardoso, Thabata Lima Arruda, Cris Rangel, Jode Gonçalves, Cuca Pimentel, Melissa Ray, Ema Aranha, Rebeca Dues, Carla Valentina, Sue Elie, Karol Pelissioni, Ema Aranha, Emelin Cerveira e Claudia Pinheiro.

PATROCÍNIO

SEDA

INCENTIVADOR

MERCEDES

APOIO

JAMESON, HEINEKEN, VEVO, INKER, TPM, ESP, MAPEX, ADEM TOURS, PREFEITURA DE SÃO PAULO, CENTRO CULTURAL SÃO PAULO

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS

VULT, CABIFY, BEN & JERRY’S, REMIX SOCIAL IDEAS, ESPAÇO 555, CASA 92, JEROME CLUB, MENU DA MÚSICA

DIREÇÃO GERAL

CLAUDIA ASSEF E MONIQUE DARDENNE

REALIZAÇÃO

MD/AGENCY E MUSIC NON STOP

 

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