Warpaint presenteia fãs brasileiros com músicas de todos os discos da carreira

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Em segunda passagem pelo Brasil, quarteto de Los Angeles tocou no The Art Of Heineken em São Paulo


Sempre que é divulgada a realização de um festival de música indie no Brasil, a banda americana Warpaint aparece na lista das mais esperadas e pedidas pelo público, mas a confirmação do quarteto quase nunca acontece. A única vinda do grupo de Los Angeles havia sido em 2011, com um show em São Paulo e outro no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Eis que, faltando cinco dias para o início da programação do projeto The Art Of Heineken, realizado no Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC), é anunciada a vinda do Warpaint ao Brasil para duas apresentações, nos dias 3 e 4 de fevereiro.

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A Heineken escolheu o terraço do MAC para a realização do evento. Com uma vista de hipnotizar e encher os olhos, a sensação que dava era de que o público estava na cobertura do apartamento de alguém, à espera de um show particular. Já passavam das 22h quando Emily Kokal, Theresa Wayman, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa subiram ao palco para a segunda noite de show no evento. Pra começar, o quarteto mandou Bees do primeiro álbum, o The Fool (2010), a dobradinha Intro/Keep It Healthy, do disco Warpaint (2014) e Krimson, do EP Exquisite Corpse (2008). Uma sequência nada mal para quem não conhecia a banda. Se, entre o público de, aproximadamente, 500 pessoas tinha alguém que não conhecia Warpaint, teve uma ótima primeira impressão.

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A escolha também foi bem acertada para os fãs que sabiam as letras de cor e se espremiam na grade na frente do pequeno palco. Depois veio Whiteout, que está no disco mais recente, Heads Up, lançado no ano passado. Em seguida, Undertow, The Stall, Elephants Love Is To Die. A parte final foi com New Song – um dos grandes hits de 2016 – Disco//Very e So Good.

A Warpaint é conhecida por mesclar rock com eletrônico, soando um tanto experimental. Algumas bandas fazem discos incríveis e marcantes usando o mesmo artifício, mas pecam na hora de tocá-los ao vivo. Com Warpaint não é assim. A apresentação ao vivo é linda, densa, equilibrada e não perde as características das músicas gravadas, pois as meninas tocam bem demais!

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Em um momento do show, um daqueles seguranças que ficam na grade, mas de costas, entregava um sorrisinho satisfeito no canto da boca e balançava a cabeça levemente ao som de Undertow. Quando até o segurança curte o show, é porque realmente é bom. Cada uma das integrantes, à sua maneira, soma pra esse resultado final. Chega a ser emocionante ouvir os arranjos de baixo da Jenny (que quase sempre está de olhos fechados, meio que entrando em transe). Seus pontos altos do show foram em Elephants e Disco//Very. Theresa, uma das vocalistas e guitarristas, deixa no ar um jeito sutilmente blasé, mas ganha o palco nos seus solos de guitarra e quando comanda o vocal. Emilly é a que mais interage com o público, agradeceu várias vezes por estarmos ali e impressionou com sua potente e afinada voz – algo nem sempre presente em bandas atuais que mesclam rock com eletrônico – principalmente em Keep It Healthy.

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Por causa do palco baixo, quase não é possível ver a baterista Stella, mas sua presença está ali em fortes batidas durante as músicas. Stella, inclusive, foi uma das ovacionadas pelos fãs, o que gerou um momento de “ciúme” em Emilly, que retrucou em tom de brincadeira o público com um: “oi! e eu?”. No final do show, agradeceu e desejou voltar ao Brasil mais vezes e se apresentar em um lugar maior, onde um número maior de fãs brasileiros pudessem prestigiá-las.

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Embora o anúncio da vinda do grupo tenha sido feito na mesma semana dos shows, isso não foi empecilho para a vinda de fãs que moram em outras cidades ou até mesmo de outros estados. Faltava mais de uma hora para o Warpaint subir ao palco e os mais ansiosos já estavam na grade aguardando e trocando experiência. Uma das fãs disse que assistiu ao quarteto no Circo Voador, que é a sua banda preferida e segurava uma carta e uma blusa que queria entregar para a baterista Stella. No final do show ganhou uma baqueta da artista e, em êxtase, disse que aquela faria companhia pra primeira baqueta que ganhou no show do Rio. Outra fã que faturou algumas lembrancinhas da banda foi a publicitária Maria Siqueira, de Natal (RN). Com um sorrisão no rosto, ela carregava uma palheta e uma sacola de papel que uma das integrantes da banda autografou a seu pedido. Com a ajuda da mãe, ficou horas tentando comprar o ingresso pelo site do evento e, com sorte, conseguiu passagem pra vir pra São Paulo.

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THE ART OF HEINEKEN

O evento ocupa o Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC) em fevereiro e março para uma experiência imersiva no universo da marca. As festas serão realizadas todos os sábados, em duas ocasiões aos domingos (5 e 12 de março) e em uma edição especial de Carnaval, dia 28 de fevereiro, sempre das 19h às 1h. A programação de shows e festas tem curadoria assinada por Marcelo Costa (Scream & Yell) e é viabilizada pela Vevo, que é parceira do projeto. Para mais detalhes, acesse aqui.

Fotos Ignacio Aronovich/Lost Art

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