Coletânea Hystereofônica Vol. 1 reúne produções de mulheres brasileiras dos mais diversos gêneros

Vasculhar as inúmeras listas de melhores álbuns, produtores e DJs de 2016 é navegar por um labirinto do patriarcado – veículos importantes como o Resident Advisor e outras referências da música eletrônica internacional compilaram listas e listas de grandes DJs do ano citando pouquíssimas mulheres. Mesmo com a o enorme volume de produções inéditas lançadas nos últimos anos é muito comum ver a presença feminina ignorada nos balanços criativos do período.

Viviane Mendes, do projeto Guillermo, e Renata Carnovale estão na coletânea

Viviane Mendes, do projeto Guillermo, e Renata Carnovale estão na coletânea

Mas as mulheres estão por aí – nas pistas onde que você dança todo fim de semana, assinando as produções que embalam seu cotidiano, organizando selos, festas e festivais e trabalhando duro desde os bastidores até o mainstage. Um reflexo desse esforço pode ser ouvido na coletânea Hystereofônica, lançada pela label Tropical Twista e idealizada por Ágatha Barbosa.

A coletânea conta com 24 mulheres envolvidas no projeto, trabalhando desde a masterização e as gravações até a arte. A ideia é mostrar o trabalho de vários fronts femininos dentro da música eletrônica, e a força do projeto vem de sua diversidade – não existem sonoridades proibidas ou privilegiadas na seleção, que vai do “techno-samba” de Fresh Prince of Barão, de Érica Alves, até a vocalização desconstruída de Lori (a artista Leandra Lambert) e a bass music de BadSista.

badsista

Rafaela Andrade, a BadSista, é uma das artistas da compilação

A variedade de sons pode confundir quem inicialmente procura uma narrativa única dentro da coletânea, mas a multiplicidade de propostas e sonoridades que vão da pista à introspecção ajuda a mostrar que a cena experimental brasileira não se resume à dicotomia entre mainstream e underground. Não existem barreiras na hora da criação, e é refrescante ouvir sons tão diferentes entre si em um mesmo trabalho.

Entre os destaques, a coletânea conta com artistas como Bibianna Graeff, Andrea Gram, Renata Carnovale, Yule, Érica Alves e A Macaca. Para a artista Érica Alves, Hystereofônica é uma oportunidade de divulgar de maneira mais ampla o trabalho de várias produtoras brasileiras e fortalecer a cena independente. “Topei participar do projeto na hora em que a Ágatha veio falar dele. Tudo que for protagonizado por mulheres e/ou iniciativa de responsabilidade social eu tenho o dever e o prazer de fortalecer. Fico super honrada de a minha faixa estar entre essas artistas. Vida longa às mulheres na música”, diz.

Amanda Mussi e Érica Alves, representantes do techno na compilação

Amanda Mussi e Érica Alves, representantes do techno na compilação

 

Além da importância social da coletânea, é essencial que em uma cena na qual grande parte do público consome música eletrônica underground pelo filtro das festas existam também iniciativas, coletâneas e faixas que mostrem produções que podem ser ouvidas em outros contextos culturais e sociais. A pista é movimento cultural e floresceu muito em cidades como São Paulo nos últimos, mas ganha ainda mais variedade quando se alia a produções que atingem outros públicos e podem ser ouvidas por pessoas que não saem tanto de casa para dançar – ou, quando saem, gostam de se jogar em ritmos com BPMs menos tradicionais. Se depender da safra atual de mulheres que tocam e produzem, não vai existir espaço para mais um 2017 de listas de melhores do ano dominadas por homens.

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