5 motivos pra ouvir mil vezes o disco My Woman, da americana Angel Olsen, um dos melhores de 2016

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Denso, bonito, bem produzido, viajante, retrofuturista, My Woman é cheio de referências de artistas que amamos


Não é de hoje que Angel Olsen é um nome conhecido no meio indie. Seu primeiro disco, Strange Cacti, foi lançado em 2011 e, desde então, a americana tem ganhado boas críticas e menções nos sites e revistas de rock pelo mundo afora.

Mas foi com My Woman, seu terceiro álbum, lançado em setembro de 2016 pelo selo Jagjaguwar Records, que a cantora, compositora e instrumentista ganhou outra dimensão como artista. O disco dura 48 minutos e foi dividido em dois moods, como explica a própria Angel: o lado A mais animado, uptempo, e o lado B mais reflexivo, usando a velha fórmula de ambientar álbuns com dois lados, graças ao retorno do hábito de se escutar discos de vinil – a bolacha My Woman, aliás, está esgotada, assim como o formato fita cassete, que também foi lançado.

Angel Olsen photographed in London this month.

Denso, bonito, bem produzido, viajante, retrofuturista, cheio de referências de artistas que a gente ama. O disco é desses feitos pra se ouvir no repeat. Mas, como prometido no título, aqui vão cinco motivos pra se viciar em My Woman.

1. A temática do disco, como a própria Angel Olsen explica no release do álbum, descrito na sua página do Bandcamp, discorre sobre “a bagunça complicada de ser uma mulher e querer se posicionar, ao mesmo tempo em que você sabe que tem coisas que esperam que você quase ignore quando quer amar um homem”. A partir desse raciocínio surgem frases lindas, como “eu te desafio a entender/o que faz de mim uma mulher”.

2. A voz de Angel Olsen, que está cada vez mais sutil, sussurada, ao mesmo tempo em que se mostra desesperada e violenta. Da escola de roqueiras do passado, como Patti Smith e Grace Slick (Jefferson Airplane), com momentos que lembram Florence Welch e Alison Goldfrapp, Angel consegue brincar com vocais que vão de momentos intensos e dramáticos até músicas em que sua voz entra como um coadjuvante divertido, como uma faixa das Breeders.

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3. Woman – A faixa é uma obra-prima de 7’37”de duração, sua chef-d’oeuvre até o momento. Lembra momentos de orquestração do álbum Histoire de Melody Nelson, o disco mais lisérgico de Serge Gainsbourg, com passagens que ressonam também o Pink Floyd de Wish You Were Here, formando uma cama arrastada e viajante para que Angel entre com seu vocal inspiradíssimo: “I dare you to understand/what means to be woooooooooman!”. Fortíssimo!

4. Shut Up Kiss Me – Vai ao extremo oposto de Woman. Shut Up Kiss Me é aquela frase que todo mundo já disse num momento chega-de-papo-me-beija. “Shut up kiss me, Hold me tight/ Stop your crying, It’s alright”, ela canta, sobre uma melodia indie pop divertida, que deve ter deixado Kim Deal orgulhosa.

5. Sister – Outra musicona de sete e poucos minutos que é tipo uma carta aberta à sororidade. Música maravilhosa, que mereceu um clipe lindo também. “Show me the future/ Tell me you’ll be there”, canta Angel, lembrando que o sentimento de irmandade é uma das coisas mais lindas desse universo. Veja o clipe.
Sister – Angel Olsen

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